Preparo do Chimarrão, Cultura Gaucha
A Tradição do chimarrão é antiga, símbolo da Hospitalidade Gaúcha, de origem indígena (Guaranis), o chimarrão autêntico, sem açúcar, toma-se em uma cuia de porongo, hoje, por uma bomba de metal. Em seus primórdios o chimarrão era consumido através de um “canudo” de taquara, chamado Taquapy. O chimarrão, por sua vez, também tem suas propriedades desintoxicantes e rico em cálcio e ferro. A Erva Mate, Ilex paraguariensis, é uma árvore nativa, um dos símbolos ecológicos do Rio Grande do Sul. Até chegarmos ao chimarrão, propriamente dito, a Erva Mate passa por vários processos.


*Estes quatro processos, hoje, são mais modernizados, mas continuam os mesmos. Estas figuras mostram a árvore e uma muda. Ilex paraguariensis – Erva Mate. I – Colheita: Feita por mais ou menos cinco pessoas, denominadas taifeiros. Um deles sobe até a árvore para cortar alguns galhos da planta, enquanto os outros recolhem os galhos colocando-os em um balaio de taquara que é transportado até o Raído (utilizado para facilitar o transporte), feito de taquara ou cipó.

II – Secagem: Chegado os galhos até o Carijo ou Barbaquá, uma espécie de galpão, totalmente fechado, somente uma abertura, a porta. Neste galpão existe uma espécie de churrasqueira para secar as folhas. No Carijo, a secagem é indireta, ou seja, a folha não tem contato direto com o fogo do braseiro. Já no Barbaquá, a secagem é direta, ao contrário da anterior.





III – Cancheamento ou Trituração:

Pode ser feita por duas técnicas, uma usando o Soque, mais atual, e outra usando o Monjolo.

Soque: movido à tração animal ou moinho d’água. Hoje são grandes maquinas movidas a eletricidade. Monjolo: bem mais ultrapassado, o monjolo é constituído por três partes, bica d’água, cocho do monjolo e o pilão. A bica chegava a ter quilômetros de distância até o local de produção, onde estava instalado o cocho para receber a água, que vinha de uma cachoeira (mais comum), para ter força de mover-se para cima e para baixo, triturando as folhas da Erva mate que estavam no pilão. Nestas duas técnicas, a erva pode ser moído grosso ou fino vai do seu gosto.

NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO: Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando do chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não no canudo).
NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS: Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se, porém, te julgas perfeitamente igual às demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.







NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE::

Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco de cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte:

NÃO TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM DO MATE Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.

NÃO MEXAS NA BOMBA: A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.

NÃO ALTERES A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO: Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve mas, depois de entrar, espera sempre tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado.

NÃO "DURMAS" COM A CUIA NA MÃO: Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando, recordando... E, às vezes, te surpreende até imaginando que a cuia não é cuia mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio... Agora, tomar chimarrão numa roda é mui diferente. Aí o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ri, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participaçâo não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando.



NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O 1º MATE:

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro, saibas que grosso é tu. O pior mate é o primeiro e quem o toma está te prestando um favor.

NÃO DIGAS QUE CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faze o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho, que ela... etc, etc.

Se estas conhecendo o chimarrão agora, aí vai alguns termos que são usados em uma Roda de Chimarrão:
Amargo: Chimarrão.
Cambona: espécie de chaleira usada para esquentar a água.
Cevar: é o preparo.
Matear: o mesmo que sorver.
Roncar: Terminar de tomar o mate


Sorver: saborear, o ato de beber o chimarrão.

Saiba também:

- Nunca deixe ferver a água que estiver esquentando para o chimarrão, pois teu mate será de ma qualidade. Saibas que, quando estiver chiando a cambona a água estará na temperatura ideal.
- Quem cevar o mate coordenará a Roda de chimarrão, seguindo sempre pela sua mão direita.
- Passe sempre o chimarrão com a mão direita, caso esteja ocupada e passares com a esquerda, fale: Desculpe a mão! Então a pessoa que recebe o mate responde: É a mesma do coração!
- Não esqueças que o primeiro mate é sempre do cevador. É uma “lei”.
- Só passe a cuia se realmente estiver terminado de tomar, ou seja se a cuia “roncar”.
- Não agradeças o mate se ainda tiver água.

CURTINDO A CUIA...
Se ganhaste uma cuia nova, não faça mate diretamente nela. Tu não podes esquecer que a cuia de porongo deve ser “curtida” antes. Como fazer?
Encha a cuia de erva e água quente, podes acrescentar também à erva cinza vegetal.
Deve ficar assim por dois ou três dias. Deixes sempre bem úmido para melhor cutir a cuia.
Depois do tempo estabelecido, retire a erva raspando bem a cuia. Tu vais notar que a cuia ficará com cara de que é muito usada.
Enxágües a cuia e pronto! Podes cevar o mate!

CEVANDO O MATE...
1º Passo: Colocar a água para esquentar. Não esqueça-te que quando a chaleira estiver chiando já esta no ponto.
2º Passo: Colocar 2/3 de erva na cuia.
3º Passo: Acomodar a Erva sobre um dos lados da cuia, o tradicional é ao lado esquerdo.
4º Passo: Colocar um pouco de água morna.
5º Passo: Deixe a erva inchar por alguns instantes para que o morro fique firme.
6º Passo: Introduzir a bomba até o fundo da cuia.

Pesquisa:
Fabrício Santos Vargas
Peão Farroupilha
Centro de Pesquisas Folclóricas Piá do Sul



   

 
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