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Lendas do Rio Grande do Sul |
A antropologia considera a lenda como um excelente material de estudo. Uma da razões está no fato de ela expressar nitidamente uma hierarquização de valores e elementos mais importantes do cotidiano do povo que a engendrou.
O Rio Grande do Sul é rico em lendas. O caldeamento das etnias que forjaram o povo gaúcho enriqueceu o repertório de nossa gente. De geração em geração elas foram repetidas. Crianças atentas escutaram velhos campeiros, negras escravas ou a "vovó", contando estórias e lendas.
Nossos índios, em sua simplicidade, buscavam explicar seus usos e costumes, flores e animais, rios, lagos, através de contos que se tornaram lendas.
Mas entre todas, a que mais se tornou conhecida, é sem dúvida, Negrinho do Pastoreiro , recolhida por Simões Lopes Neto. Nestes tempos em que vivemos, não é demais lembrarmos aos mais novos o conteúdo exato da lenda mais importante de nosso pago.
LENDA DA ERVA MATE
Havia um velho índio da nação Guarani que já não poderia ir à floresta a fm de caçar e enfrentar o jaguar, e nem poderia ir à guerra, porque as pernas não mais o ajudavam.
O índio velho vivia, num canto da cabana. E era cuidado carinhosamente por uma filha solteira, bonita, que se chamava Yari. Certo dia, chegou um viajante que foi muito bem tratado pelo ansião guarani e por sua linda filha Yari. Na hora de dormir, Yari cantou como uma pomba rola, a fim de que o viajante repousasse no melhor dos sonos. Quando este despertou, grato, ao reiniciar a caminhada, confessou ser um emissário do Deus Tupã e quis oferecer como recompensa a seus hospedeiros o que este lhe pedissem, fosse o que fosse.
O velho guerreiro, pensando na filha, pediu que o mago lhe desse algo capaz de lhe restituir as forças, para que Yari, livre de lhe dar cuidados pudesse enfim casar, cobiçada como era pelos valentes da tribo. O enviado de Tupã entregou então ao velho índio,um rama da árvore de Caá, para o ancião tirar dele a seiva , beber em infusão de água e ficar forte de novo, o que aconteceu. E a Yari foi entregue a divindade dos ervais e o dom de protetora da raça Guarani. A bela donzela passou, então a ser chamada de Caá -Yari, a deusa da erva mate.
Fonte: Revista Vida Regional
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